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Brasil x Europa: Panorama dos Alimentos Orgânicos

Atualizado: Set 10

A procura por alimentos orgânicos está crescendo em todo o mundo. Essa tendência deve continuar à medida em que os consumidores e comerciantes reagem às notícias relacionadas com os efeitos dos pesticidas (e organismos geneticamente modificados) na saúde humana e no meio ambiente.


Mas afinal, o que significa a preferência por alimentos orgânicos?


De acordo com diversas pesquisas, feitas por universidades brasileiras, a procura por alimentos orgânicos entre os brasileiros está relacionada com alimentos livres de agrotóxicos e com um estilo de vida mais saudável, mas também com melhor controle de qualidade e melhor sabor. Existe o receio de danos à saúde relacionados com o consumo de agrotóxicos, mas a preferencia por métodos de cultivo que respeitam a terra e quem trabalha nela, assim como respeito pelos recursos naturais também são razões importantes por trás da preferencia por orgânicos. Existe também o desejo de favorecer a agricultura familiar e pequenos produtores rurais, e preocupações éticas com os animais e com ecossistemas. Para os brasileiros optar por orgânicos é desestimular o uso de venenos agrícolas, que poluem o ambiente e as pessoas, e adoecem os produtores rurais e suas famílias.


Na Europa, os motivos para consumir orgânicos são bem semelhantes aos motivos citados pelos brasileiros. Um estudo publicado na revista Foods (2018, 7(4), 54), mostra que os consumidores europeus associam alimentos orgânicos e produzidos localmente com um controle de qualidade mais elevado, ou seja, alimentos mais seguros (livres de agrotóxicos), com valor nutricional superior, melhor sabor, e mais frescos.


No velho continente os orgânicos são também associados com alimentação saudável, bom gosto, valores culturais e métodos de produção que respeitam o meio ambiente. Em países escandinavos a busca por alimentos orgânicos também está relacionada com segurança alimentar, ou seja, com a capacidade de produzir alimentos limpos, que não dependem de insumos agrícolas ou da compra de sementes geneticamente modificadas.


O Mercado dos Alimentos Orgânicos


De acordo com o relatório estatístico emitido pelo FiBl (Research Institute of Organic Agriculture) e IFOAM (Internacional Federation of the Organic Agriculture Movement) referente a 2018, o Brasil (com 1,1 milhões de hectares) é um dos líderes em produção orgânica na América Latina, ficando em terceiro lugar, depois da Argentina (3,4 milhões de hectares) e do Uruguai (1,9 milhões de hectares). Hoje o setor de orgânicos no Brasil tem um faturamento anual bilionário, chegando a R$ 4 bilhões. O mercado brasileiro de fertilizantes orgânicos também está em expansão e deve crescer cerca de 21% em 2019, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo).


Artigo publicado na Revista dos Vegetarianos - Agosto 2019.

O mercado europeu de produtos orgânicos também continua a crescer. Na Europa, estimativas recentes da IFOAM indicam que as terras agrícolas orgânicas cobrem cerca de 43,7 milhões de hectares em todo o mundo, dos quais cerca de 26,6% ficam na Europa. Em 2017, o comércio de orgânicos na Europa aumentou quase 11 % e atingiu 37,3 mil milhões de euros dentro da União Europeia (UE), onde o maior mercado foi a Alemanha com 10 bilhões de euros. A UE representa o segundo maior mercado individual de produtos orgânicos do mundo, depois dos Estados Unidos (40 bilhões de euros).


O Futuro dos Alimentos Orgânicos


Apesar dos avanços nas políticas públicas de agricultura orgânica e agroecologia, e apesar da crescente demanda por alimentos orgânicos, o governo brasileiro continua dando prioridade ao agronegócio, com destaque para os agrotóxicos e os transgênicos. No Brasil os alimentos produzidos convencionalmente custam menos ao consumidor, em parte, devido ao suporte que a agricultura convencional recebe do Governo Federal Brasileiro. Um bom exemplo disso é a redução de 60% no ICMS (Imposto Relativo à Circulação de Mercadorias), e isenção total do PIS/COFINS (subsídios para a Seguridade Social) e do IPI (Imposto sobre Produtos industrializados) na compra de agrotóxicos. Portanto na prática, o governo brasileiro financia o uso dos agrotóxicos, ao invés de taxá-los devidamente, o que reduziria seu uso. Apenas em 2018, o Estado brasileiro deixou de arrecadar R$ 2,07 bilhões em isenções fiscais concedidas à comercialização de agrotóxicos. 


Apesar da óbvia desvantagem em relação á produção de alimentos convencional o comércio de orgânicos no Brasil é promissor. Um dos sinais disso é o aumento anual de 10 a 15 % no número de produtores de alimentos orgânicos registrados no Mapa (Ministério da Agricultura). Isso se deve principalmente ao aumento da procura por alimentos orgânicos, mas também pela alta incidência de doenças relacionadas com o contato direto com agrotóxicos o que está levando alguns agricultores e suas famílias a mudarem suas práticas.


A agricultura orgânica é um sistema de produção orientado para o processo e não para o produto, e é importante que os consumidores compreendam este conceito. Por isso, a expansão da produção de orgânicos no Brasil e na Europa depende muito da conscientização dos consumidores sobre desenvolvimento sustentável, definida pela Comissão Mundial sobre Ambiente e Desenvolvimento como "formas de progresso que satisfazem as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas necessidades".


Orgânicos contribuem para preservar a natureza!

A procura por alimentos orgânicos tende apenas a crescer no Brasil e no mundo, e esse crescimento também depende de nós consumidores. Cada vez que compramos um alimento estamos aprovando ou desaprovando os métodos

com que foram produzidos. Preferir orgâ-nicos também significa prevenir proble- mas de saúde e não fazer parte do ciclo destrutivo de produção de alimentos que visa apenas o lucro, enquanto ignora-se os danos aos seres humanos, aos animais, e ao meio ambiente. As feiras de alimentos orgânicos estão se multiplicando Brasil afora, assim como o número de consumidores de orgânicos.


Existem feiras orgânicas na sua cidade? Conte pra gente nos comentários!


Referências:

- Bosona T, Gebresenbet G. Swedish Consumers’ Perception of Food Quality and Sustainability in Relation to Organic Food Production. Foods. 2018; 7(4):54.

- http://orgprints.org/34674/1/willer-etal-2018-world-of-organic-summary.pdf

- https://ec.europa.eu/info/food-farming-fisheries/farming/organic-farming/legislation

- https://www.ifoam-eu.org/sites/default/files/page/files/ifoameu_reg_organic_ regulation_dossier_2009_en.pdf

- http://www.agricultura.gov.br/assuntos/sustentabilidade/organicos

- http://www.europarl.europa.eu/RegData/etudes/BRIE/2018/614743/EPRS_BRI%28

2018%29614743_EN.pdf


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